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Terapia adjuvante

Plasma rico em plaquetas (PRP) no cuidado de feridas

É uma terapia adjuvante feita com o sangue do próprio paciente. Não substitui o curativo: entra junto com ele, quando a avaliação indica.

Enf. Irajara Tallamini, COREN-RS 195438

O que é

O sangue tem plaquetas, que ajudam a estancar sangramentos.

No PRP, colhe-se uma pequena quantidade de sangue do próprio paciente, como num exame de sangue comum. Esse sangue vai para uma centrífuga, um aparelho que gira o tubo e separa as partes do sangue. O resultado é um pouco de plasma, a parte líquida, com as plaquetas concentradas.

Esse concentrado é aplicado na ferida durante o curativo, como terapia adjuvante. A forma de aplicação é definida na avaliação.

Não é transfusão. O sangue não volta para a circulação e não vem de outra pessoa.

Quando pode ser considerado

Nenhuma indicação sai de uma lista. Estes são cenários em que o recurso pode ser considerado. A decisão é tomada na avaliação, caso a caso, e existe ferida em que ele não entra.

  • Ferida limpa, sem infecção ativa e com a causa em tratamento, quando a avaliação quer somar um recurso ao curativo
  • Ferida de longa duração, com os cuidados de base em dia

O que a avaliação olha antes

O PRP depende do sangue do paciente. Por isso a avaliação olha a pessoa inteira, não só a ferida.

  • A ferida: se a causa está sendo tratada, se está limpa e se há sinal de infecção
  • O sangue: exames recentes, como o hemograma. Se o paciente tiver, leve para a avaliação
  • Os remédios em uso: alguns mexem na coagulação ou nas plaquetas e pedem cautela
  • A saúde geral: há condições em que a coleta ou a aplicação não são adequadas

Leve para a avaliação as orientações do médico que acompanha o paciente e a lista de remédios em uso. Não suspenda nem troque remédio por conta própria para fazer o procedimento: mudança de remédio é conversa com o médico que prescreveu.

Quando a avaliação conclui que o PRP não cabe, o plano segue com o que faz sentido para aquela ferida.

Como o procedimento funciona, em geral

  1. Avaliação da ferida, da saúde geral e dos remédios
  2. Coleta de uma pequena quantidade de sangue
  3. Preparo do concentrado de plaquetas
  4. Aplicação na ferida e curativo por cima
  5. Reavaliação da ferida ao longo do acompanhamento

O número de aplicações e o intervalo entre elas não são fixos. Dependem da ferida e são revistos a cada reavaliação.

Dúvidas comuns da família

O sangue é de outra pessoa?

Não. É sempre do próprio paciente.

É transfusão?

Não. O sangue não volta para a veia. Ele é preparado e usado só na ferida.

Substitui o curativo, o remédio ou o tratamento da causa?

Não. É uma peça a mais, e só faz sentido com o resto do cuidado em dia.

Quem toma remédio para afinar o sangue pode fazer?

Depende. Conte na avaliação todos os remédios em uso. E não suspenda nenhum por conta própria: isso se conversa com o médico que prescreveu.

Quantas vezes precisa aplicar?

Não existe número fixo. O plano é revisto a cada reavaliação da ferida.

O que a gente não promete

O PRP não substitui nenhuma parte do cuidado. Não dá para prever como a ferida vai responder, nem em quanto tempo. Ele não dispensa a limpeza e a cobertura corretas e não corrige a causa da lesão.

A causa continua sendo tratada pelo médico e pela equipe que acompanham o paciente. O PRP, quando entra, é só uma peça do cuidado com a ferida.

Como isso se apoia na norma

A Resolução COFEN 787/2025 lista os concentrados sanguíneos autólogos, grupo em que o PRP se inclui, entre as terapias adjuvantes que o enfermeiro habilitado pode indicar no cuidado de lesões cutâneas. A Resolução COFEN 788/2025 regulamenta o uso desses concentrados por enfermeiros.

Mais sobre a equipe em quem vai cuidar, e o panorama das condutas em tratamento de feridas.

A avaliação é o primeiro passo.

Conte em poucas linhas o que está acontecendo. A partir daí a equipe diz o que dá para fazer, e como.

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